Em busca das letras perfeitas

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Proposta:  Resenha sobre o livro “A Jornada do Escritor”

Autor do livro “A Jornada do Escritor”, Christopher Vogler é presidente da Storytech, empresa de consultoria literária que ajuda a analisar roteiros, diagnosticar os seus erros e indicar soluções.

“A Jornada do Escritor” possui como objetivo servir como um guia prático e ponto de referência para escritores, produtores e executivos de estúdio. O modelo que é apresentado não deve ser lido como uma fórmula secreta, e sim como um modelo que muitos filmes bem sucedidos seguiram. A idéia geral da obra é que toda história possui os mesmos tipos de personagem. Essa repetição de personalidade são chamados de arquétipos. Vogler ensina que todo herói (entende-se como personagem principal da história) possui uma jornada com estágios estabelecidos que devem ser vividos.

 O autor baseou seu trabalho nas idéias do Joseph Campbell, autor do livro “O herói de mil faces”. Os dois acreditavam que os arquétipos eram elementos universais encontrados em filmes, sonhos, contos de fada e mitos. Outra citação recorrente ao longo do texto é ao psiquiatra e psicanalista suíço Carl G. Jung. Uma de suas principais obras chama-se “Tipos Psicológicos”. Ele faz uma análise sobre a relação entre o consciente e o inconsciente do ser humano e a diferença do inconsciente coletivo para o individual. Também constata que os sonhos são possíveis escapes do inconsciente individual e coletivo e que há uma relação entre as figuras dos sonhos e os arquétipos da mitologia.

O livro está dividido em duas partes. O Livro Um, que faz a apresentação dos 12 estágios da Jornada do Herói e a introdução aos arquétipos. E o Livro Dois, que examina de forma detalhada os 12 estágios da jornada. Vogler faz muita referência a filmes e colocou até uma lista de títulos que ele próprio recomenda.

A divisão do livro faz com que algumas informações se repitam, o que torna a leitura cansativa. Por outro lado, a repetição faz com que o leitor tenha um melhor entendimento do assunto abordado. Para garantir que sua mensagem seja entendida, aconselha ao leitor escolher um filme e fazer anotações à medida que vai lendo. Já no Livro Dois, Vogler coloca um questionário no final de cada capítulo para que sirva de avaliação do que foi aprendido. O livro deixa claro que não há só a jornada de personagens fictícios, os estágios podem ser relacionados à vida pessoal, sendo cada um herói de sua própria jornada. Ele até dá o exemplo de sua jornada como escritor e das dificuldades que esses profissionais podem sofrer no processo de criação.

A leitura é indicada não só para escritores, produtores e executivos de estúdio, mas para pessoas leigas que querem ver um filme e entender melhor o que estão assistindo. Lendo o livro, o espectador passa a questionar o que significa cada história, como foram criadas e, assim, a mensagem que o autor quis passar fica mais compreensível.

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Pegadinha do Orson Welles

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Proposta: Escrever um texto sobre a transmissão da Guerra dos Mundos na rádio em 1938

No dia 30 de Outubro de 1938, Orson Welles,cineasta americano (entre as funções de diretor,  ator, roteirista e produtor) transmitiu a peça Guerra dos Mundos através da rádio CBS (Columbia Broadcasting System). O escritor da peça, Herbert George Wells, é considerado o pai das histórias de ficção científica.

A transmissão foi feita em uma situação delicada. O nazismo já se apropriava dos meios de comunicação para influenciar a população a acreditar na ideologia do partido. A ascensão do Adolf Hitler e o pavor da dominação nazista deixavam o mundo em tensão. A Segunda Guerra Mundial já ameaçava começar, deixando o futuro incerto.

O romance que conta a invasão dos marcianos a Terra, foi transmitido em tom jornalístico, seguindo o formato de uma notícia verídica. Repórteres ofegantes interrompiam a programação normal para narrar o que viam: explosões, mortes, o verdadeiro caos. A idéia de uma teatralização foi ignorada por muitos que escutavam a invasão. 

Na verdade, o verdadeiro caos foi sendo criado a partir do que os ouvintes escutavam na rádio. Welles foi causador de um dos acontecimentos de maior histeria nos Estados Unidos. Antes da transmissão avisaram que era uma história fictícia. Muitos não ouviram o aviso e acreditaram piamente no que estava sendo dito.

A Universidade de Princeton publicou um estudo dizendo que mais de um milhão de pessoas foram afetadas de alguma forma pela dramatização. A – falsa – ameaça do fim da raça humana causou desespero entre as pessoas. Todos ligaram aos seus conhecidos avisando do perigo, aos hospitais querendo se precaver ou a polícia pedindo por esclarecimentos. O pânico chegou a causar fugas em massa e há rumores de que até tiveram alguns casos de suicídios. O terror estava se espalhando, saindo até das fronteiras americanas.

A partir de então ficou inquestionável o poder que os meios de comunicação possuem sobre as pessoas. A mídia passa a ser o quarto poder, ou seja, torna-se um poder capaz de manipular e garantir a absorção de tudo que é veiculado, inclusive aquilo que é absurdo. O ser humano mostrou ser (ou mostrou ter se tornado) uma espécie passiva, sem senso crítico. E mesmo depois desse caso polêmico, não parece ter mudado. Já na pós-modernidade se escuta afirmações irreais fundamentadas pelo que os jornais, por exemplo, transmitem. Mesmo sendo de jornais com credibilidade, deve ser de conhecimento geral que não há dono da verdade e nada deve ser aceito sem uma avaliação prévia.