Em 1977 circulou a primeira edição do suplemento semanal Folhetim, criado pelo jornalista Tarso de Castro. O Folhetim era uma extensão da grande imprensa para assuntos de um jornalismo cultural.

Inicialmente, o suplemento funcionava como uma espécie de revista da semana, sendo feito, sobretudo, por jornalistas e cartunistas. Em 1989, o Folhetim deixou de circular, depois de 636 edições. No lugar, é criado o caderno Letras. Três anos depois, a Folha de São Paulo lança o caderno Mais!.

Criado por Marcos Augusto Gonçalves, o suplemento se tornou um caderno voltado para os leitores que procuram literatura, sociologia, filosofia e artes. O novo veículo de cultura absorveu o suplemento Letras e promoveu uma espécie de fusão entre o jornalismo que havia sido elaborado pelo Folhetim e o da Ilustrada.

O suplemento semanal se encarrega de produzir reflexões sobre a indústria cultural, abrindo o espaço -que antes era usado só por jornalistas – para uma nova inteligência brasileira.                                     .

Marcos Augusto Gonçalves, o Mag, jornalista que começou a profissão de forma acidental e hoje comanda um dos cadernos mais lidos do jornal Folha de S. Paulo, a Ilustrada. “Mag tem diploma na área de exatas, mas possui um enorme interesse por Letras e Literatura. Marcos começou a carreira de jornalista no jornal O Globo e já passou por veículos como Diário Lance, Revista Isto É e Lance Net. Dentro da Folha, empresa para a qual contribuiu em diferentes etapas de sua carreira, desenvolveu funções como a de editor da Revista da Folha, correspondente internacional, editor do Caderno Opinião e criador e primeiro editor do Caderno Mais!.” Portal Imprensa”.                                                           .             

Em entrevista para o Portal, Mag diz que o caderno Mais! tem uma série de colaboradores e críticos, que trabalham fora da redação, e um grupo de colunitas. O jornalista comenta sobre a rotina corrida dos cadernos Ilustrada e Mais!. Segundo o editor, ocorre uma reunião de pauta para discutir a agenda. Nessas reuniões, os redatores e repórteres podem apresentar sugestões dentro de uma dinâmica diária em que aparecem idéias. Depois, todas as idéias são sistematizadas na reunião de pauta final.                                            

O jornalismo feito pelo caderno Mais! tem como objetivo ser crítico, sem excluir o entretenimento, o lado da orientação do leitor e o da reportagem. O foco é o equilíbrio. Os textos procuram mostrar as novas tendências, produtos novos. O caderno vai em uma linha de diversidade, uma característica de extrema importância para o jornalismo cultural. “Diversidade no sentido de a gente transitar por esferas e registros e visões diversas, então, desde uma entrevista mais consistente com um intelectual como Augusto de Campos, até a reportagem mais Contigo, digamos estrelinha de Tv”, comenta Mag. O intuito é de fazer um jornalismo cultural sério, sem se fixar somente na discussão, nem no superficial.                                     .

Entre vários profissionais que garantem a credibilidade do caderno estão: o colunista Jorge Coli, professor titular em História da Arte e da Cultura, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. O colunista Boris Fausto, um historiador e cientista político brasileiro. O colunista e historiador francês Peter Burke. O professor e colunista Luiz Felipe de Alencastro e o colunista José Arthur Giannotti, professor universitário brasileiro. Em “ Da Redação” estão Euclides Santos Mendes e Ernane Guimarães Neto. Em “ Da Reportagem Local” está Reinaldo José Lopes. O caderno conta ainda com tradutores como o Paulo Migliacci e Clara Allin e com colaboradores como o professor Marcelo Leite e o escritor científico  Marcelo Gleiser. O atual editor do cadeno Mais! é Marcos Flamínio Peres, jornalista, doutor em Letras pela USP e autor de “ A Fonte Envenenada” ( Ed. Nova Alexandria), livro a respeito de Gonçalves Dias.

Diagramação

Os veículos do século XIX tinham como característica uma massa densa de texto diagramada verticalmente. As manchetes eram extensas e não cumpriam a idéia de atrair o olhar do leitor. Não havia cores e dispunha de poucas figuras. A partir do avanço de novas tecnologias, surgiu a importância de um veículo apresentar um projeto gráfico. O propósito é manter uma identidade e garantir uma leitura agradável. Para isso, os designers do jornal fazem uso de recursos gráficos, como por exemplo, a tipografia, a infografia e as ilustrações.

Nos últimos anos, há uma procura de criar um design cada vez mais moderno. O caderno Mais! representa um exemplo desse advento digital, no sentido de que possui uma equipe especializada no assunto. Há uma preocupação em não superlotar uma página com informações e textos. Possui uma média de 2 matérias por página . Além disso, existem recursos que complementam e substituam objetivamente um elemento textual.

Valorização de fotos, publicando-as em um formato maior, uso de arte e publicidade são exemplos. Já a infografia é uma linguagem cada vez mais implantada nos meios de comunicação. Nessa categoria se encontra mapas, gráficos e desenhos. Ilustração só pode ser considerada infografia se explicar algo, contar uma história ou transmitir informação como notícia (Alberto Cairo, especialista em design e artes visuais). Boxes também são usados. São quadrados em destaque usados para definir palavras, para esclarecer um tópico, para estabelecer comparações, entre outras funções.  Por ser um caderno cultural existe a liberdade de não ter limites quanto a criatividade. Os designers podem utilizar até de cores para destacar, diferenciar e atrair sempre de acordo com o que está escrito.

São estratégias diferentes, mas que possuem o objetivo de tornar a reportagem mais descontraída e melhorar a didática.  Ajuda a contextualizar o assunto e aumentar o campo de entendimento.                                            

Ilustrada x Mais!

Ilustrada apresenta propagandas, tanto que é comum ter na página principal uma publicidade que ocupa todo o espaço. Também cumpre de uma forma mais severa as características exigidas pelas normas jornalísticas, como título informativo com um subtítulo abaixo e lead. Há uma limitação na criatividade do jornalista em escrever sobre cultura. O foco do suplemento diário é voltado para realizações de artistas. Até o nome do caderno, Ilustrada, faz alusão a uma leitura superficial, mais descontraída. Falta a reflexão cultural que o caderno Mais! oferece.  Exemplo disso é a Ilustrada publicar programação de televisão aberta e o resumo das novelas da semana, astrologia, quadrinhos, cruzadas e sudoku.  Mas mesmo com abordagem diferente, o objetivo é divulgar cultura.

Mudanças Gráficas
A Folha de São Paulo já anunciou a terceira mudança gráfica dos últimos dez anos para Maio de 2010. Um trabalho que começou desde setembro de 2009, sob a direção da designer Eliane Stephan, que também foi responsável pela reforma realizada em 1996.                                                                    .

A reforma desse ano vai se adequar às mudanças nos hábitos dos leitores da sociedade pós-moderna. Desafios se levar em conta a expansão da instantaneidade e o bombardeio constante de informações. O que deve ser visto a partir de Maio é um “jornal mais limpo, visualmente econômico, retilíneo”. O perfil do meio vai ser mais homogêneo e unitário, diminuindo a diversidade abordada. A intenção será de corrigir os excessos e inserir blocos de texto com tamanho pré-definido.

O novo editor-executivo da Folha, jornalista Sérgio Dávila afirma: “A Folha tem a tradição da vanguarda nas reformas gráficas da imprensa brasileira das últimas duas décadas e meia. Foi assim com a cadernização, o amplo uso de infografia, a cor total, a diagramação modular, para ficar em alguns exemplos que depois seriam adotados pela concorrência”.

Anúncios