Não julgar o filme pela capa é um dos lemas do Victor Monteiro, brasiliense de 19 anos e estudante de Jornalismo. Ele também não pode ser compreendido pelo que aparenta. Comunicativo e alegre, ele esconde o lado sensível, carente e dependente da aprovação dos pais nas decisões que toma. Excêntrico, agitado e com um jeito de falar pausado, ele tem o cinema como um sonho longe de ser realizado, já que não possui o apoio da mãe. Apesar de afirmar que não possui traumas na vida, foi vítima de bullying quando estava no ensino médio.

Victor era alvo de xingamentos e era empurrado pelos colegas. Fez 11 anos de taekwondo e só lembra de uma briga que teve na escola. Admite que costumava guardar as emoções para si. Provavelmente, liberava o que sentia durante a luta. Apesar de não dar muita importância aos acontecimentos, as agressões podem ter influenciado a sua personalidade. Como a de encontrar conforto em casa ou em filmes.                              . 

Para o brasiliense, segurança na vida é família. O que define sendo apenas como mãe e pai. Embora dar tanta importância à instituição, nega querer casar e ter filhos. Garante que os pais são mais do que o suficiente. Ao ser perguntado onde seria depositada essa segurança quando os pais falecerem, percebe-se que ele encara o assunto com desconforto: ele vira o rosto e olha para o nada. Pára e pensa. Responde com a cabeça baixa: “Não vou ter mais referência. Vai sobrar só eu.”

Quanto a paqueras ou namoros, são relações que ele nega querer ter. Pelo menos até aparecer um amor à primeira vista. Enfatiza o “primeira vista” e afirma que o sentimento deve ser recíproco. Ele já teve uma relação amorosa que começou tão rápido quanto terminou. O término foi culpa dele: “Limpei a mão depois de ficar de mãos dadas.”. “Ela suava muito”, justifica. Ele diz e demonstra não ser romântico, mas é uma pessoa atenciosa e sensível. Uma menina entra na sala com uma roupa nova e ele é o primeiro a comentar: “Roupa nova? Muito bonita”. É uma tentativa de agrado, sem segundas intenções. Além disso, ele não tem vergonha de admitir: “Eu choro em filme de final triste.” “choro sem engasgar e soluçar”. Um choro contido e reservado, assim que nem ele.

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