O caso do superfaturamento de bicicletas e o erro dos jornalistas

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1991 foi marcado por uma epidemia de cólera. De acordo com uma entrevista concedida pelo hoje Deputado Alceni Guerra, eram 3 milhões de casos e 1 milhão de morte. A cólera, que é transmitida por água, mata rápido. E pelo difícil acesso dos médicos as comunidades, o então Ministro Alceni Guerra treinou em cada comunidade um agente de saúde. Inicialmente eram 23 mil agentes, que focavam no norte e nordeste.

agente de sáude / fonte: amparo.sp.gov.br

O Ministério da Saúde teve que comprar artigos básicos para os agentes, como bicicletas, mochilas e tênis. Após a compra, a imprensa acusou o Alceni Guerra de não ter comprado a bicicleta pelo menor um valor apresentado. O deputado disse que ligou para a empresa que vendia mais barato e eles não possuíam a quantidade de bicicletas que precisava naquele momento e o preço de fábrica seria mais caro do que pagou.

Agravantes
O presidente Collor queria se aproximar do Leonel Brizolla, então governador do Rio de Janeiro, para implantar um projeto no estado. O Alceni Guerra seria o intermediário para a relação. A imprensa começou a atacar o ministro da saúde, já que o Brizolla era inimigo declarado do Roberto Marinho.

Além disso, naquela época, Collor havia cortado todos os gastos que considerava supérfluo para investir no Ministério da Saúde. Entre estes gastos estavam as verbas voltadas para a publicidade.

Direito de Resposta
Alceni Guerra tentou se defender algumas vezes, mas enquanto o fazia dava mais motivo para a mídia atacá-lo. Por isso foi aconselhado pelo advogado Saulo Ramos a não se defender. “Defesa é alimento para mais ataques”.

fonte: g1.globo.com.br

Quando foi provada a sua inocência, os meios de comunicação o deram menos de um minuto para se defender. Em compensação aos 10 mil m² de publicação impressa e 104 horas de televisão de acusação que ele afirma ter recebido.
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Ministro Inocentado
Depois de inocentado, não processou nenhum jornalista. Foi aconselhado pelo advogado de que se ele quisesse continuar na política, não seria interessante abrir processos. Hoje, Alceni Guerra acredita que se tivesse processado os difamadores, teria reconstruído sua identidade com mais facilidade.

Por outro lado, ele acredita que o caso das bicicletas pode servir de exemplo para o erro não se repetir. Também diz que hoje possui uma relação de respeito com a imprensa. Dificilmente lê algo sobre ele que tenha uma conotação negativa.

Volta na política
Ele voltou para política afirmando que é uma vocação. “Quando você gosta de ajudar os outros, não tem como parar.” Entre suas realizações ele cita a criação dos agentes comunitários, o SUS e a realização de transplantes.

Alceni Guerra afirma que apesar de poder fazer o bem, entrar na vida pública significa estar pronto para ser acusado e exposto. Ele conclui que quando um político possui projetos inovadores e que dão certo, uma possível conseqüência é atrair inveja. Quem quer te substituir, quer te colocar pra baixo, justifica. 

Vida Pública x Vida Privada
O caso que mais ficou marcado na imprensa foi uma charge publicada na primeira página do Jornal “O Globo”. Era um desenho dele com o seu filho andando de bicicleta no Parque da Cidade. Outro caso, também no dia dos pais, foi quando sua filha voltou para casa com um presente feito pelos professores: um cartaz com ofensas. O Alceni Guerra afirma que foi muito sofrimento para os filhos, que também eram alvos de provocações.

fonte: jornal O Globo - Charge de Chico Caruso

Erro ético
“Somos seres humanos, erramos”. Por sua formação em medicina, compara jornalista com médico: “Jornalista lida com algo semelhante à vida: informação. Esta equivale a oxigênio ou a alimento. Não se vive sem informação. Jornalista também erra, mas ele deve saber corrigir quando acontece”.

Além disso, ao ser perguntado sobre a abordagem sensacionalista dos jornais, ele culpa a sociedade. “O jornal veicula o que o público quer ler. Para haver uma mudança, a sociedade deve mudar seus interesses”.

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Abordagem jornalística da Ata do COPOM

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Já existem veículos que dão destaque a outros assuntos, como O Monitor Mercantil que possui em sua cobertura diária pautas sobre: economia política, economia internacional, mercados financeiros, seguros e empresas.

De acordo com o editor executivo do O Monitor Mercantil (MM), Marcos de Oliveira, o jornal pauta sua cobertura pela independência e pela busca de um olhar diferente daquele da maioria dos jornais brasileiros. Ele explica que isso acontece tanto pela linha política do MM como pela busca de um nicho que o diferencie de outros veículos financeiros e da cobertura de Economia dos jornais de assuntos gerais. Já que ele acredita que de modo geral, as notícias – não só em Economia, mas também nela – pecam por receber uma mesma abordagem em praticamente todos os jornais, com uma linha ditada tanto pelos interesses financeiros das empresas que os editam, quanto pelos seus interesses políticos. “As fontes, em número restrito, são praticamente as mesmas em todos os veículos, e seguem praticamente a mesma linha. Poucas vozes discordantes dão apenas um aspecto “democrático” à cobertura jornalística.O MM procura justamente fontes diferentes, que possam dar uma visão alternativa aos fatos noticiados.

Outra característica é aprofundar a análise de alguns assuntos mais importantes, ampliando a mera cobertura factual.”, diz Marcos de Oliveira

Um exemplo da abordagem diferente do MM pode ser visto nesta nota, publicada na edição de 17/6/2010, numa coluna de comentários e análise:

 “A reação dos ‘jornalões’ brasileiros à decisão do presidente Lula de sancionar o reajuste de 7,7% para os aposentados que recebem acima de dois salários mínimos ajudar a entender que não apenas a Internet explica o processo de emagrecimento de alguns diários. Com visões de mundo antagônicas às de seus leitores, esse tipo de imprensa, não raro, se põe em situações em que seu apego aos seus dogmas a coloca em campo oposto ao da audiência. Lateralmente, ainda, joga água no moinho do presidente Lula e da candidata do PT a presidente, Dilma Housseff, ao apresentar Lula como um líder capaz de contrariar os interesses de burocratas sem votos para ficar do lado dos aposentados, o que, aliás, como revela o veto deste ao fim do fator previdenciário, está longe de ser realidade.”

Pré-Copom, pré-ata
As vésperas da reunião do COPOM, este vira motivo de debate no mercado financeiro e jornalístico. Há o que se chama de tensão pré-COPOM, nesta especulam o que vai ser discutido pela comissão.                                 .

Após a realização da reunião, é divulgado um comunicado à imprensa. Esse comunicado é uma nota que costuma dizer como foi a reunião. Pode sinalizar o que o Banco Central decidiu fazer ou se há divisão entre os diretores, por exemplo. As vezes o BC pode divulgar, em outras palavras que:  “O BC está avaliando o cenário macroeconômico para então definir o que vai fazer com a taxa de juros”. Ou seja, o comunicado à imprensa nem sempre é esclarecedor e assim surgem indagações do que vai vir na ata propriamente dita (que vai ser lançada uma semana após a reunião): “Será que o crescimento vai dar uma freada, vai rever projeção de inflação ou não vai?”, questiona Vicente Nunes. A partir desse questionamento surge a tensão pré-ata.

Importância de entender a Ata do COPOM
O Banco Central possui uma visão do país e é a instituição que mais tem indicadores para definir as taxas de juros. Eles realizam reuniões para analisar a situação econômica do país e tomar decisões sobre a política monetária. A ata permite avaliar o momento atual e o que esta por vir.  Também existem relatórios trimestrais de inflação, que analisam detalhadamente a conjuntura econômica e financeira do país, bem como apresenta suas projeções para a taxa de inflação. Essas questões atingem diretamente o consumidor e a sua estabilidade financeira. 

Mídia especializada x Mídia massiva
Vicente Nunes não acha que a mídia especializada e a mídia massiva entram em confronto de sentidos ao escrever sobre a Ata do COPOM. Existe uma diferença na estrutura e na abordagem, já que o interesse do público é diferente. De acordo com ele, há um problema em comum nas duas mídias: “são muito economês, não visam todo o público”. Ele comenta que as vezes ele tem dificuldade de entender matérias no Valor Econômico pela sua linguagem rebuscada. Mas ele afirma que há cada vez mais matérias com a preocupação de traduzir para o leitor comum o que é economia. O jornalista econômico afirma que não basta reproduzir o que uma fonte do mercado e o governo disseram. Tem que se perguntar: “ E aí?”. Deve-se escrever com a idéia que o leitor não sabe do que se trata. É preciso dizer o que aquilo significa, como aquilo vai afetar a vida dele.   Ou seja, contextualizar o assunto. O objetivo do Correio Braziliense é que a matéria atinja o maior número de pessoas. Para isso buscam escrever de forma simples e objetiva, com o mínimo de economês.

O jornal Valor Econômico é um veículo específico de economia, conseqüentemente seus leitores procuram assuntos inerentes ao tema. Apenas esse fator já é bastante seletivo, pois só a pequena parte da sociedade se interessa e compreende o assunto. Ao contrário de outros veículos que tem o público alvo a grande massa, ou seja, pessoas com a mais diversa pluralidade cultural, o jornal Valor Econômico tem como público adultos de, em média, 27 a 42 anos, casados e com trabalho fixo. Segundo pesquisa realizada no ano de 2006, 78,3% do público alvo do jornal possuem no mínimo uma graduação.

Com a possibilidade de explorar mais especificamente o COPOM, Comitê de Política Monetária do Banco Central, o jornal publica desde notas, matérias e até reportagens nas edições especiais: suplementos. Durante os dias que o Comitê está reunido e posteriormente a eles, os colunistas comentam as decisões impostas. Seja qual for o formato que o assunto foi abordado, os textos não possuem como maior objetivo fazer com que o leitor entenda a mudança que vai acontecer na vida particular de cada um e explorar ao máximo assuntos de cada reunião. 

O jornal do Commercio é exemplo de mídia massiva jornalismo de variedades. O jornal é dividido em  5 editorias, sendo que uma delas é de economia. A cobertura do Comitê de Política Monetária do Banco Central, não recebe um espaço razoável no jornal por falta de espaço. Segundo o editor de economia do jornal o tema é bem tratado, possui uma cobertura especializada adequada, mas acha que a mídia de variedade não possui espaço suficiente para abordar com profundidade as informações.

Jornalista Econômico
De acordo com Vicente Nunes, o aconselhável é que o jornalista tenha um conhecimento econômico para trabalhar nessa área. Mas afirma que o ideal é se ter uma equipe mesclada e unida, com pessoas novas e outras mais experientes. No período pré-COPOM, em que se especula o que o Banco Central vai fazer. Uma pessoa que é novata no assunto fica influenciável, não tem discernimento e conhecimento suficiente para questionar. Muitas vezes o jornalista pode ser levado a seguir interesses do mercado financeiro.

Banco Central e Ministério da Fazenda, por ainda se dar tanta importância a essa cobertura macroeconômica, são consideradas dentro da redação como áreas nobres da economia. Por este motivo, quem normalmente cobre o Banco Central são pessoas mais experientes.

Ética na profissão
Normalmente, a chefia dos jornais está sempre atenta a possíveis erros cometidos pelos repórteres. Vicente Nunes garante que as matérias devem ser aprovadas por ele e pelo sub-editor. Se achar necessário manda reescrever. No Correio Braziliense há uma preocupação em não deixar uma matéria errônea ser publicada.

Além disso, ele ressalta que é preciso ficar atento já que muitas reportagens podem ter sido influenciadas por fatores externos. Fontes podem influenciar os jornalistas para tirar proveito da divulgação. Existem profissionais de comunicação que se submetem e manipulam a informação. Por isso, o editor do Correio Braziliense afirma, “Não é para publicar tudo que chega. Tem que ter um filtro.”

De gago para dono de um império: Chatô

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Assis Chateaubriand era um nordestino que preocupava os pais por ser gago e raquítico. Apesar das dificuldades em se alfabetizar, ele não demorou a se interessar pelo mundo das letras para posteriormente se formar em advocacia. Com apoio de brasileiros influentes, se tornou dono de um império de comunicações. O livro “Chatô – O Rei do Brasil” conta o surgimento de alguns dos 100 jornais do seu aglomerado, das primeiras revistas e das emissoras de televisão e rádio. Além disso, atuou na política e nos negócios, sendo dono de laboratório químico e do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

fonte: Fundação
Assis Chateaubriand

Fernando Morais escreveu a biografia de “um homem cheio de grandeza e miséria, paixão e fúria”. “Chatô – O Rei do Brasil”, mostra um personagem pretensioso e persistente, sempre de forma extravagante. Um dos seus sonhos era conhecer a Rainha da Inglaterra e para isto até participou da cerimônia de coroação da monarca, Elizabeth II. Como não conseguiria cumprimentá-la, resolveu estender faixas no caminho onde passaria o cortejo real. As mensagens diziam: “Nossa Senhora de Aparecida guarde a Rainha” e “Nosso Senhor do Bonfim guarde a Rainha. Anos depois, iria conhecê-la no cargo de embaixador do Brasil naquele país.

Mal visto e temido por vários, Chateaubriand muitas vezes era chantagista e ladrão. Com muita audácia, criava projetos para conseguir aliados e patrocínio financeiro. Na maioria dos casos, ou o dinheiro não era bem administrado ou não era investido integralmente na causa. A maioria dos investidores sabia disso, mas não ousava negar um pedido do Chatô. Dono de jornais, ele tinha o poder de engrandecer aliados e acabar com a reputação de inimigos. Para ataques mais polêmicos se apropriava de dois pseudônimos: Macaco Elétrico e A.Raposo Tavares.

O Fernando Morais cita vários exemplos que mostram como o jornalista ia contra o compromisso da profissão, em manter a imparcialidade diante dos fatos. O Chateaubraind de seus jornais foram adquiridos com o intuito de eleger o Getúlio Vargas como Presidente da República. Já a revista O Cruzeiro, a mais vendida na época, publicava coberturas fotográficas de tudo que tivesse relação com o Getúlio Vargas e João Pessoa (candidatos a presidência e vice-presidência da república, respectivamente).

fonte: capa divulgação

Apesar da falta de ética, a dedicação que Chatô possuía com o jornalismo fica clara no livro. Ele teve uma notável participação no desenvolvimento da comunicação no Brasil. Com ajuda do Getúlio Vargas, enquanto ministro da fazenda, garantiu que a revista O Cruzeiro estaria nas bancas de Belém e Porto Alegre simultaneamente. Para isso, além de usar caminhões, barcos e trens, Chatô fretou um bimotor para a distribuição nacional. Também foi um dos primeiros a mandar correspondente para fora do país e a trazer o sistema televisivo ao Brasil.

As 695 páginas representam um relato denso com riqueza de detalhes. Para compor a obra, foram 92 entrevistados e aproximadamente 54 livros pesquisados. Chatô fez parte da história do Brasil, por isso o autor tem a preocupação de ilustrar a situação do país enquanto Chatô vivia. O livro “Chatô – O Rei do Brasil” é leitura obrigatória para qualquer estudante e profissional de comunicação. O megaperfil escrito por Fernando Morais mostra um exemplo de perseverança. Também explicita os desafios que um meio de comunicação assume ao ser criado.

O bom marido

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Robert Delbart antes de 1960 - fonte: baú da famíla

Chega uma visita e está lá Robert Delbart, belga de 82 anos, olhando pela janela, esperando. Aos poucos vai com seu andador em direção à entrada. Careca por opção, abre a porta e sorri. O militar aposentado continua a estabelecer metas e a atingir objetivos. Agora não é mais guerras e treinamentos. O foco é a esposa. Quando ela precisa, se transforma, como um camaleão, em manicure, médico e massagista. Por isso, assina como o bom marido.

Mora em uma casa de repouso com a esposa, que está inválida há pouco mais de dois anos. O Papi, como é chamado por todos na família, cuida dela com muito cuidado. Com dificuldade para andar, ele circula de um lado para o outro, dizendo que tem muitas missões para cumprir. Corta as unhas da Rainha Mãe [assim como a chamam], faz massagem nos seus pés e passa creme no seu rosto.

Cumpridas as suas obrigações, ele senta. Se estiver sozinho, cochila, por afirmar que não tem tempo de dormir à noite. Quando está acompanhado, aproveita para compartilhar suas teorias. Por exemplo, confessa sentir seu coração parar enquanto dorme, mas garante que volta ao acordar. São crenças que fazem parte do seu charme, mas intensificam a sua teimosia. Ao ponto de negar tratamento e remédios quando está doente. De acordo com ele, os médicos não sabem de nada e querem enganá-lo.

Expostas as suas teorias, histórias de guerra não faltam em suas conversas. Quando jovem, fez treinamento de guerra no litoral da Bélgica e, já casado, foi para o Congo, antiga colônia do seu país, após a Segunda Guerra Mundial. O que fazia? Responde dizendo que protegia o território. Fala do clima agradável, da boa saúde que possuía e da geografia, que passou a conhecer muito bem. A quem pergunta mais, ele apenas sorri.

Entre os muitos resquícios de guerra, ele usa a surdez, causada pelo barulho do canhão (e intensificada pela idade) a seu favor. Mesmo não ouvindo bem, aproveita para se esforçar a escutar apenas o que quer. E a técnica infalível para “escapar de fininho” é sorrir, balançar a cabeça e dizer “sim, sim”.

Carreira Despedaçada

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(divulgação)
(divulgação)

Proposta: Resenha sobre o filme “Shattered Glass”

“Shattered Glass” é um filme norte-americano lançado em 2003. O título em português é “O Preço de uma Verdade”. Baseado em uma história verídica, o filme é dirigido pelo Billy Ray e protagonizado por Hayden Christensen, ator que ficou famoso pela atuação como personagem principal na ficção científica Star Wars. Stephen Glass, personagem principal, foi um dos jornalistas mais jovens a se tornar extremamente requisitado em muito pouco tempo. Escrevia para a revista “The New Republic”, mas também trabalhava como freelancer para outras revistas de grande circulação, como a Rolling Stone. Suas reportagens eram fascinantes, mas o que todos não sabiam é que a maioria provinha da sua imaginação.

O propósito desse filme é mostrar como um jornalista consegue destruir a ética jornalística e ser admirado pelos colegas ao mesmo tempo (e por pouco tempo!) Enquanto o papel do jornalista é revelar e transmitira verdade à população, Stephen Glass publicava matérias fictícias como sendo verdadeiras. Ele apurava fatos antes de qualquer outro meio, afirmando ter boas fontes, quando na verdade a sua única fonte era a criatividade. Serve para mostrar que nem sempre se deve acreditar no que é veiculado, pois, às vezes, leitor pode ser vítima da vontade de uma promoção profissional.

O filme é obviamente recomendável para jornalistas e estudantes do jornalismo. Mostra claramente a rotina de uma agência de notícias, a trajetória da reportagem e o caráter pode ser encontrado nesse meio. Mas, de modo geral, é aconselhável que todos assistam para se conscientizar do poder da mídia e de que nem tudo que é veiculado por ela é verdadeiro. Além disso, o filme deixa claro para o espectador que o pecado capital, a soberba, se alastra na sociedade. A vontade de superar de qualquer forma, e não por mérito próprios, existe não só no mundo jornalístico, como também nos demais mundos humanos.

Condutas filosóficas dos Jornalistas

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Proposta: Escrever um artigo sobre ética jornalística.

A ética jornalística determina como o jornalista pode agir diante de impasses comuns na sua carreira. Não é um princípio normativo, por isso é uma reflexão individual e a lógica própria que vão limitar a sua atuação como profissional.

Existem dois princípios intrínsecos que dão base às decisões éticas: a teleológica e a deontológica.

O primeiro explora as conseqüências das ações. É feita uma análise sobre qual opção resulta em um bem maior e possui o menor efeito colateral sobre os outros. O segundo afirma que a ética não está relacionado com resultados. O eu vale é o deon, ou seja, o dever. Uma ação será ética se ela se basear em princípios considerados universais. Ações que todos podem cometer.

Não há jornalista que usa com convicção apenas uma dessas correntes filosóficas. A teleologia deve prevalecer como fundamento na análise ética. Informação é direito de todos e o jornalista é o responsável pela sua divulgação. Deve ter cuidado com o que transmite, pois também é o responsável pelas conseqüências do que escreve. O jornal deve agir em benefício geral.

Tudo que é veiculado pela mídia é visto como verdade único e por isso gera impacto. É a reportagem que narra um fato e influencia o que vai acontecer posteriormente. Não basta seguir o princípio da verdade acima de tudo, se o resultado for caótico.

Há situações diferentes e o profissional deve ter claro o que é mais ou menos justo em cada caso. Não é optar entre o certo e o errado. Esses antagônicos passam a pertencer não só à ética como a uma discussão do âmbito criminalista.

A luta do jornalismo tem sido pela liberdade de expressão e pensamentos em favor da democracia. Mas essa liberdade tem limite e deve preservar valores básicos como a vida privada, a imagem e a honra. A lei de imprensa não se sobrepõe à lei humana. Por isso, escrever sem pensar nas consequências pode se tornar uma grande inconsequência.

Ética Jornalística

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Proposta: Comentar sobre o dever do jornalismo.

A informação é direito público. O jornalista deve servir ao povo e relatar o que está acontecendo no mundo de forma objetiva e imparcial. 

Um repórter as vezes precisa mentir para obter informações. Mentir quanto  a sua identidade, por exemplo. Há dados que não seriam revelados a um jornalista por medo do óbvio: virar reportagem! Em uma conversa informal, o cuidado na fala da fonte pode ser esquecido e o jornalismo beneficiado. Entretanto, o sigilo da identidade da fonte deve ser garantido. 

Por outro lado, o suborno não deve ser permitido. Oferecer uma troca para conseguir uma informação pode ser perigoso. A fonte perde a sua credibilidade. Pode não ter nada para contar, mas sabe exatamente o que deve falar para sair ganhando. 

O jornalista tem a obrigação de publicar uma reportagem sabendo que pode prejudicar pessoas. Para isso deve ter cuidado com a veracidade do que escreve. Ter certeza do que está sendo veiculado impede falsos julgamentos. 

Uma reportagem nunca beneficiará todos os grupos sociais. Mas é dever do jornalista buscar a verdade e divulgá-la. Deve sempre beneficiar um número máximo de pessoas e escrever para que os efeitos colaterais nos outros sejam os menos possíveis.