De gago para dono de um império: Chatô

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Assis Chateaubriand era um nordestino que preocupava os pais por ser gago e raquítico. Apesar das dificuldades em se alfabetizar, ele não demorou a se interessar pelo mundo das letras para posteriormente se formar em advocacia. Com apoio de brasileiros influentes, se tornou dono de um império de comunicações. O livro “Chatô – O Rei do Brasil” conta o surgimento de alguns dos 100 jornais do seu aglomerado, das primeiras revistas e das emissoras de televisão e rádio. Além disso, atuou na política e nos negócios, sendo dono de laboratório químico e do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

fonte: Fundação
Assis Chateaubriand

Fernando Morais escreveu a biografia de “um homem cheio de grandeza e miséria, paixão e fúria”. “Chatô – O Rei do Brasil”, mostra um personagem pretensioso e persistente, sempre de forma extravagante. Um dos seus sonhos era conhecer a Rainha da Inglaterra e para isto até participou da cerimônia de coroação da monarca, Elizabeth II. Como não conseguiria cumprimentá-la, resolveu estender faixas no caminho onde passaria o cortejo real. As mensagens diziam: “Nossa Senhora de Aparecida guarde a Rainha” e “Nosso Senhor do Bonfim guarde a Rainha. Anos depois, iria conhecê-la no cargo de embaixador do Brasil naquele país.

Mal visto e temido por vários, Chateaubriand muitas vezes era chantagista e ladrão. Com muita audácia, criava projetos para conseguir aliados e patrocínio financeiro. Na maioria dos casos, ou o dinheiro não era bem administrado ou não era investido integralmente na causa. A maioria dos investidores sabia disso, mas não ousava negar um pedido do Chatô. Dono de jornais, ele tinha o poder de engrandecer aliados e acabar com a reputação de inimigos. Para ataques mais polêmicos se apropriava de dois pseudônimos: Macaco Elétrico e A.Raposo Tavares.

O Fernando Morais cita vários exemplos que mostram como o jornalista ia contra o compromisso da profissão, em manter a imparcialidade diante dos fatos. O Chateaubraind de seus jornais foram adquiridos com o intuito de eleger o Getúlio Vargas como Presidente da República. Já a revista O Cruzeiro, a mais vendida na época, publicava coberturas fotográficas de tudo que tivesse relação com o Getúlio Vargas e João Pessoa (candidatos a presidência e vice-presidência da república, respectivamente).

fonte: capa divulgação

Apesar da falta de ética, a dedicação que Chatô possuía com o jornalismo fica clara no livro. Ele teve uma notável participação no desenvolvimento da comunicação no Brasil. Com ajuda do Getúlio Vargas, enquanto ministro da fazenda, garantiu que a revista O Cruzeiro estaria nas bancas de Belém e Porto Alegre simultaneamente. Para isso, além de usar caminhões, barcos e trens, Chatô fretou um bimotor para a distribuição nacional. Também foi um dos primeiros a mandar correspondente para fora do país e a trazer o sistema televisivo ao Brasil.

As 695 páginas representam um relato denso com riqueza de detalhes. Para compor a obra, foram 92 entrevistados e aproximadamente 54 livros pesquisados. Chatô fez parte da história do Brasil, por isso o autor tem a preocupação de ilustrar a situação do país enquanto Chatô vivia. O livro “Chatô – O Rei do Brasil” é leitura obrigatória para qualquer estudante e profissional de comunicação. O megaperfil escrito por Fernando Morais mostra um exemplo de perseverança. Também explicita os desafios que um meio de comunicação assume ao ser criado.

Em busca das letras perfeitas

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Proposta:  Resenha sobre o livro “A Jornada do Escritor”

Autor do livro “A Jornada do Escritor”, Christopher Vogler é presidente da Storytech, empresa de consultoria literária que ajuda a analisar roteiros, diagnosticar os seus erros e indicar soluções.

“A Jornada do Escritor” possui como objetivo servir como um guia prático e ponto de referência para escritores, produtores e executivos de estúdio. O modelo que é apresentado não deve ser lido como uma fórmula secreta, e sim como um modelo que muitos filmes bem sucedidos seguiram. A idéia geral da obra é que toda história possui os mesmos tipos de personagem. Essa repetição de personalidade são chamados de arquétipos. Vogler ensina que todo herói (entende-se como personagem principal da história) possui uma jornada com estágios estabelecidos que devem ser vividos.

 O autor baseou seu trabalho nas idéias do Joseph Campbell, autor do livro “O herói de mil faces”. Os dois acreditavam que os arquétipos eram elementos universais encontrados em filmes, sonhos, contos de fada e mitos. Outra citação recorrente ao longo do texto é ao psiquiatra e psicanalista suíço Carl G. Jung. Uma de suas principais obras chama-se “Tipos Psicológicos”. Ele faz uma análise sobre a relação entre o consciente e o inconsciente do ser humano e a diferença do inconsciente coletivo para o individual. Também constata que os sonhos são possíveis escapes do inconsciente individual e coletivo e que há uma relação entre as figuras dos sonhos e os arquétipos da mitologia.

O livro está dividido em duas partes. O Livro Um, que faz a apresentação dos 12 estágios da Jornada do Herói e a introdução aos arquétipos. E o Livro Dois, que examina de forma detalhada os 12 estágios da jornada. Vogler faz muita referência a filmes e colocou até uma lista de títulos que ele próprio recomenda.

A divisão do livro faz com que algumas informações se repitam, o que torna a leitura cansativa. Por outro lado, a repetição faz com que o leitor tenha um melhor entendimento do assunto abordado. Para garantir que sua mensagem seja entendida, aconselha ao leitor escolher um filme e fazer anotações à medida que vai lendo. Já no Livro Dois, Vogler coloca um questionário no final de cada capítulo para que sirva de avaliação do que foi aprendido. O livro deixa claro que não há só a jornada de personagens fictícios, os estágios podem ser relacionados à vida pessoal, sendo cada um herói de sua própria jornada. Ele até dá o exemplo de sua jornada como escritor e das dificuldades que esses profissionais podem sofrer no processo de criação.

A leitura é indicada não só para escritores, produtores e executivos de estúdio, mas para pessoas leigas que querem ver um filme e entender melhor o que estão assistindo. Lendo o livro, o espectador passa a questionar o que significa cada história, como foram criadas e, assim, a mensagem que o autor quis passar fica mais compreensível.