“Brasil mostra a tua cara”

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por Deborah Delbart, Luísa Peleja e Cláudia Lafetá

Caio Prado Júnior, historiador e escritor brasileiro, teve uma participação importante no que diz respeito a descrever as características do Brasil. Caio Prado segue uma concepção estrutural de cultura, que consiste em idéias originadas nas estruturas sociais. Ele foi influenciado pelo pensamento do sociólogo Karl Marx, que estuda a sociedade a partir da economia. Marx afirma a separação da sociedade entre burguesia e proletariado. A burguesia detinha os meios de produção e o proletariado vendia a sua força de trabalho. Portanto, o escritor faz um diagnóstico econômico para entender os valores subjetivos da sociedade brasileira. Transforma os pensamentos marxistas entendendo a sociedade brasileira como uma relação de explorados e exploradores, ou com outras palavras, colonizados e colonizadores.

O pensamento do Caio Prado tem conseqüência na cultura atual de subserviência do brasileiro. Ou seja, complexo de inferioridade cultural quanto a outras sociedades. De acordo com a psicologia e psicanálise é um sentimento de que se é inferior a outrem, de alguma forma. Alguns sociólogos propuseram  um complexo de inferioridade em diversos níveis, por exemplo, a inferioridade cultural.

“O passado colonial do Brasil – cujo razão de ser era a produção em larga escala visando o mercado externo, com sua necessária dependência do trabalho escravo – está profundamente impresso nas instituições econômicas, políticas e sociais de hoje. Anacronismos e tradições persistem retardando o pleno desenvolvimento do país.” – extraído do livro Formação do Brasil Contemporâneo, do próprio historiador.  Acredita-se que o Brasil sofre até hoje as conseqüências de ter sido um país colonizado e ainda se atribui a uma época a que não pertence.  O país ainda dá uma grande importância às outras nações, principalmente as desenvolvidas, quando já deixou de ser uma colônia para se tornar uma provável potência mundial. Talvez pelo Brasil não ter sido formado para constituir uma sociedade organizada, com raízes nacionais firmes, faltou a criação de uma identidade nacional própria. Por isso, o brasileiro costuma fazer referências positivas a tudo que está fora do país. Como por exemplo, as pessoas acharem que só no Brasil existe corrupção e no mundo afora não. Ou que produtos importados são de maior qualidade do que as nacionais. Outro caso, são pessoas que preferem realizar tratamentos médicos no exterior.
Caio Prado Júnior afirma que o Brasil enquanto colônia teve sua riqueza exportada e com isso financiou a industrialização dos países desenvolvidos. No caso de Portugal, o país não desenvolveu uma economia própria e nem uma política de industrialização. Primeiro por que achavam que a riqueza brasileira era eterna. Segundo, por que os portugueses não possuíam conhecimento e técnica em plantação. Vale ressaltar a notável capacidade do Brasil de desenvolvimento, além de ter sido fundamental para o crescimento econômico de outras nações, tem se destacado no âmbito internacional. Isso ainda acontece, no que diz respeito à extração de recursos no território brasileiro pela disponibilidade ou pela abundante mão-de-obra. Esses recursos são mandados para outros países, que revendem com uma porcentagem de lucro altíssima, inclusive para os próprios brasileiros.

Outro aspecto importante a ser mencionado, é a concepção estudada pelo antropólogo Gilberto Freyre, de hibridismo. Ou seja, união das diferenças que se incorporam a uma cultura. Ele acredita na mistura de etnias, mas vai além e afirma que o Brasil é uma mistura em vários níveis. No seu estudo constata que o português já era um povo miscigenado, possuindo, por exemplo, a descendência árabe.  Por conseqüência, o brasileiro possui essa mistura de etnias, o que não justifica o sentimento de inferioridade do brasileiro. Afinal, possui na sua essência, características do exterior.

Prova contrária a essa subserviência, há características do brasileiro que atraem os estrangeiros. Por exemplo, a cordialidade, que de acordo com o escritor Sérgio Buarque de Holanda é a identidade brasileira. Essa se faz presente em conseqüência da falta de instituições firmes na estruturação do país. A fotógrafa suíça Cláudia Andujar, nacionalizada brasileira, afirma em entrevista a admiração pelo acolhimento recebido no Brasil. Ela demonstra isso através de um trabalho na causa pela preservação do povo indígena Yanomami.

O Brasil está deixando de ser um país subdesenvolvido para se tornar uma referência de uma economia desenvolvida. Pode-se notar a inserção do Brasil nos eventos mundiais e na economia. Como é o caso do país sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Além disso, as especulações do Brasil em ocupar uma das cadeiras permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Oswald de Andrade, no Manifesto Antropófago, critica esse esquecimento da identidade brasileira e a adesão absoluta de valores estrangeiros.  Por isso faz uso da palavra antropofagia de forma metafórica baseando-se nas crenças dos índios antropófagos. Ou seja,  supunham  que comendo seus inimigos  adquiriam sua força e qualidades. Então a idéia do manifesto antropófago era devorar a cultura estrangeira e reelaborá-las com autonomia e adaptá-las aos traços brasileiros.  Antropofagia, denotativamente, é o ato de consumir uma parte, ou várias partes de um ser humano. Conforme as informações argumentadas acima, não há necessidade de implementar uma cultura alheia. De acordo com a característica híbrida do brasileiro, deve-se unir as diferenças e criar uma cultura própria. Não só isso, mas respeitá-la e acreditar na sua validade.

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Em busca das letras perfeitas

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Proposta:  Resenha sobre o livro “A Jornada do Escritor”

Autor do livro “A Jornada do Escritor”, Christopher Vogler é presidente da Storytech, empresa de consultoria literária que ajuda a analisar roteiros, diagnosticar os seus erros e indicar soluções.

“A Jornada do Escritor” possui como objetivo servir como um guia prático e ponto de referência para escritores, produtores e executivos de estúdio. O modelo que é apresentado não deve ser lido como uma fórmula secreta, e sim como um modelo que muitos filmes bem sucedidos seguiram. A idéia geral da obra é que toda história possui os mesmos tipos de personagem. Essa repetição de personalidade são chamados de arquétipos. Vogler ensina que todo herói (entende-se como personagem principal da história) possui uma jornada com estágios estabelecidos que devem ser vividos.

 O autor baseou seu trabalho nas idéias do Joseph Campbell, autor do livro “O herói de mil faces”. Os dois acreditavam que os arquétipos eram elementos universais encontrados em filmes, sonhos, contos de fada e mitos. Outra citação recorrente ao longo do texto é ao psiquiatra e psicanalista suíço Carl G. Jung. Uma de suas principais obras chama-se “Tipos Psicológicos”. Ele faz uma análise sobre a relação entre o consciente e o inconsciente do ser humano e a diferença do inconsciente coletivo para o individual. Também constata que os sonhos são possíveis escapes do inconsciente individual e coletivo e que há uma relação entre as figuras dos sonhos e os arquétipos da mitologia.

O livro está dividido em duas partes. O Livro Um, que faz a apresentação dos 12 estágios da Jornada do Herói e a introdução aos arquétipos. E o Livro Dois, que examina de forma detalhada os 12 estágios da jornada. Vogler faz muita referência a filmes e colocou até uma lista de títulos que ele próprio recomenda.

A divisão do livro faz com que algumas informações se repitam, o que torna a leitura cansativa. Por outro lado, a repetição faz com que o leitor tenha um melhor entendimento do assunto abordado. Para garantir que sua mensagem seja entendida, aconselha ao leitor escolher um filme e fazer anotações à medida que vai lendo. Já no Livro Dois, Vogler coloca um questionário no final de cada capítulo para que sirva de avaliação do que foi aprendido. O livro deixa claro que não há só a jornada de personagens fictícios, os estágios podem ser relacionados à vida pessoal, sendo cada um herói de sua própria jornada. Ele até dá o exemplo de sua jornada como escritor e das dificuldades que esses profissionais podem sofrer no processo de criação.

A leitura é indicada não só para escritores, produtores e executivos de estúdio, mas para pessoas leigas que querem ver um filme e entender melhor o que estão assistindo. Lendo o livro, o espectador passa a questionar o que significa cada história, como foram criadas e, assim, a mensagem que o autor quis passar fica mais compreensível.

Pegadinha do Orson Welles

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Proposta: Escrever um texto sobre a transmissão da Guerra dos Mundos na rádio em 1938

No dia 30 de Outubro de 1938, Orson Welles,cineasta americano (entre as funções de diretor,  ator, roteirista e produtor) transmitiu a peça Guerra dos Mundos através da rádio CBS (Columbia Broadcasting System). O escritor da peça, Herbert George Wells, é considerado o pai das histórias de ficção científica.

A transmissão foi feita em uma situação delicada. O nazismo já se apropriava dos meios de comunicação para influenciar a população a acreditar na ideologia do partido. A ascensão do Adolf Hitler e o pavor da dominação nazista deixavam o mundo em tensão. A Segunda Guerra Mundial já ameaçava começar, deixando o futuro incerto.

O romance que conta a invasão dos marcianos a Terra, foi transmitido em tom jornalístico, seguindo o formato de uma notícia verídica. Repórteres ofegantes interrompiam a programação normal para narrar o que viam: explosões, mortes, o verdadeiro caos. A idéia de uma teatralização foi ignorada por muitos que escutavam a invasão. 

Na verdade, o verdadeiro caos foi sendo criado a partir do que os ouvintes escutavam na rádio. Welles foi causador de um dos acontecimentos de maior histeria nos Estados Unidos. Antes da transmissão avisaram que era uma história fictícia. Muitos não ouviram o aviso e acreditaram piamente no que estava sendo dito.

A Universidade de Princeton publicou um estudo dizendo que mais de um milhão de pessoas foram afetadas de alguma forma pela dramatização. A – falsa – ameaça do fim da raça humana causou desespero entre as pessoas. Todos ligaram aos seus conhecidos avisando do perigo, aos hospitais querendo se precaver ou a polícia pedindo por esclarecimentos. O pânico chegou a causar fugas em massa e há rumores de que até tiveram alguns casos de suicídios. O terror estava se espalhando, saindo até das fronteiras americanas.

A partir de então ficou inquestionável o poder que os meios de comunicação possuem sobre as pessoas. A mídia passa a ser o quarto poder, ou seja, torna-se um poder capaz de manipular e garantir a absorção de tudo que é veiculado, inclusive aquilo que é absurdo. O ser humano mostrou ser (ou mostrou ter se tornado) uma espécie passiva, sem senso crítico. E mesmo depois desse caso polêmico, não parece ter mudado. Já na pós-modernidade se escuta afirmações irreais fundamentadas pelo que os jornais, por exemplo, transmitem. Mesmo sendo de jornais com credibilidade, deve ser de conhecimento geral que não há dono da verdade e nada deve ser aceito sem uma avaliação prévia.

Autódromo invadido por inconformados

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Proposta: Escrever uma matéria jornalística sobre uma narrativa fictícia.

No último sábado, por volta da meia noite, cem adolescentes invadiram uma festa eletrônica (Rave) que estava sendo realizada no Autódromo de Brasília. Inconformados com a lotação da festa, forçaram os portões e geraram confusão, deixando cinco feridos.

O grupo de jovens foi barrado pelos seguranças na porta do evento. A festa já estava lotada e a entrada de mais ninguém seria permitida. Os adolescentes ficaram revoltados e usaram a força para entrar no local. Seguranças não conseguiram segurar a multidão. No tumulto, cinco jovens tiveram ferimentos leves e foram levados ao Hospital de Base.

Ana Paula da Silva, de 18 anos, foi uma das feridas. Reclama que pelo preço do ingresso a segurança de todos deveria ser garantida. Nega ter visto cem seguranças como afirma a organização da festa e diz que havia mais gente do que espaço.

Não há unanimidade quanto aos responsáveis pelo acontecimento. Júlio Castro, um dos organizadores da festa, culpa os jovens pela falta de compreensão e noção de perigo. De acordo com ele, a segurança do local estava sendo feita por mais de cem seguranças. Um deles, Raimundo Silva, comprova o que o organizador disse. Não soube dizer quantas pessoas entraram, mas confirma a lotação da festa.

A bilheteria afirma que até a meia noite 1.348 pessoas haviam entrado. Apesar do local da festa suportar apenas 1.500, a Polícia Militar acredita que houve uma superlotação de duas mil pessoas.

Ataques do MST

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 Proposta: Escrever uma matéria que mostra os dois lado dos ataques do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Fonte: MST
Fonte: MST

  

Sete estados brasileiros e o Distrito Federal sofreram invasão de um Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Invadiram propriedades públicas e privadas causando danos de milhões de reais. De acordo com Rosangela Cordeiro, coordenadora do Movimento, a rebelião possui o intuito de reivindicar direitos do MST, entre os quais está uma melhor renda para os trabalhadores.

Grande parte dos investimentos governamentais voltados para a agricultura vai para os agronegócios. Aquelas grandes empresas têm o seu mercado focado para o comércio exterior. Simples trabalhadores rurais acabam ficando em segundo plano. Contudo, o MST não é uma entidade reconhecida legalmente. Ele recusa-se a ter um caráter jurídico e por isso não pode ser responsabilizado coletivamente pelos seus crimes nem receber verbas do governo. Este também não acelera a sua legalização, pois assim poderá ser culpado posteriormente de patrocinar diretamente os tumultos, em vez de colaborar com ONGs como vem fazendo até agora.

Os repasses do governo diminuíram 90% nos últimos anos por não serem usados conforme as ONGs e o MST diziam. Por exemplo, escolas foram criadas especialmente para os sem terra, mas não seguiam a grade curricular exigida pelo Ministério da Educação e estimulavam crianças a invadirem propriedades. Estas invasões, além de mostrar suas revoltas com a suposta negligência de seus direitos, evidencia o grave problema ao qual o Brasil sofre. O que é absurdamente irônico levando-se em conta a extensão territorial do Brasil. Como afirma o famoso clichê: “Tanta terra nas mãos de poucos”. O governo continua usando a reforma agrária como elemento de sua base política e talvez seja por isso que nunca sai do papel.  

De qualquer forma, apesar do sistema brasileiro ser democrático e permitir a livre expressão o MST conseguiu mudar sua ideologia e transformar o movimento em um grupo especialista em invadir e destruir o território alheio e até cometer assassinatos em massa. Desse jeito, a medida em que mostram a sua insatisfação com atitudes radicais, eles vão perdendo apoio político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que um dia discursou com um boné do MST ao lado de seus representantes, hoje condena as barbaridades que vão sendo cometidas.

Alerta aos homens!

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Proposta: Escrever uma matéria sobre a campanha do “Bloco da Mulher Madura” para o carnaval, sendo o foco o público masculino.

Algumas pessoas afirmam que o ano começa após o carnaval. Isto quer dizer que expectativas com essa festa superam a normalidade. Pessoas economizam o ano inteiro e entram em uma contagem regressiva para gastar tudo em poucos dias. O objetivo? A busca pelo prazer, pelo divertimento.

Até onde pode-se extravasar e jogar-se para a vida? O governo todo ano realiza campanhas para estimular o lado responsável da população. Não dirigir alcoolizado, evitar brigas e transar, mas só se for com camisinha.

Sabe-se que campanhas que repetem mensagens a cada data comemorativa acabam se tornando um clichê e deixam de atrair a atenção desejada. Por isso que esse ano propagandas de um “Bloco da Mulher Madura” tomaram conta das ruas das principais cidades brasileiras. O foco da campanha é estimular o uso da camisinha pelas mulheres a partir 50 ano, devido ao aumento de infecções do vírus do HIV nessa faixa etária nas últimas pesquisas feitas pelo Ministério da Saúde.

Vale lembrar que apesar do público alvo ser feminino, os homens precisam ficar com o olho aberto. Cada vez mais mulheres trocam de parceiros e, assim, podem aumentar o risco de contaminação entre os homens.

Acabou a época em que a mulher só tinha um parceiro sexual a vida inteira ou ficasse em casa depois de certa idade. Os 50 anos de antes não são os mesmo da nossa sociedade. Portanto, homens, aproveitem toda a bagunça do carnaval mostrando ser um sexo seguro, também!

Amor Incondicional

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Proposta: Crônica sobre o acidente de avião em Goiânia no dia 12 de Março de 2009

fonte: google imagens

fonte: google imagens

Sempre acreditei que o amor incondicional existia. Aquele amor que, aconteça o que acontecer, continuará presente. Aquele amor que supera qualquer obstáculo, por isso a sua intensidade e veracidade. Aquele amor que não se explica. Um exemplo de amor incondicional é o que existe entre pais e filhos. Quer dizer, é o amor que  deveria existir, contudo, o noticiário vem me mostrando o contrário.

Uma das notícias que li e ouvi repetidamente nas duas últimas semanas foi sobre a queda de um monomotor no estacionamento de um shopping em Goiânia. O piloto, e pai da menina de 5 anos que o acompanhava, agrediu a mulher um pouco antes de se aventurar no céu. Até onde eu li, o pai é suspeito de ter cometido estupro e este teria sido o motivo da briga entre o casal, já que ela teria descoberto. De qualquer forma, independente do motivo da briga, onde entra a filha nessa história e por que teve que participar do ato radical do pai?

Outro episódio que me faz questionar o `amor incondicional` foi o caso do Alexandre Nardoni, em que ele jogou a filha pela janela com a ajuda de sua esposa. Isso para tentar acobertar o final de uma briga que resultou em um sufocamento.
Acabaram presos. Todo o Brasil acompanhou detalhadamente o caso, da frieza do casal até a falta de remorso nas interrogações.

Outro destaque na mídia, inclusive internacional, foi a menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto, engravidou e abortou. A mãe nega saber que suas duas filhas estavam sendo abusadas. Escapou da cadeia, mas acabou mostrando sua negligência materna. Uma mãe que não percebe ou sente que algo – muito – errado está acontecendo com as filhas?  Vai ficar um marco na vida das filhas. Saberão que a mãe preferiu não saber o que houve, ou mesmo se soube, não fez nada para protegê-las.

Até onde as pessoas vão para acobertar um erro e vão colocando em risco a vida de pessoas inocentes? Pessoas que deveriam ser amadas incondicionalmente.

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