Proposta: Escrever um texto sobre a transmissão da Guerra dos Mundos na rádio em 1938

No dia 30 de Outubro de 1938, Orson Welles,cineasta americano (entre as funções de diretor,  ator, roteirista e produtor) transmitiu a peça Guerra dos Mundos através da rádio CBS (Columbia Broadcasting System). O escritor da peça, Herbert George Wells, é considerado o pai das histórias de ficção científica.

A transmissão foi feita em uma situação delicada. O nazismo já se apropriava dos meios de comunicação para influenciar a população a acreditar na ideologia do partido. A ascensão do Adolf Hitler e o pavor da dominação nazista deixavam o mundo em tensão. A Segunda Guerra Mundial já ameaçava começar, deixando o futuro incerto.

O romance que conta a invasão dos marcianos a Terra, foi transmitido em tom jornalístico, seguindo o formato de uma notícia verídica. Repórteres ofegantes interrompiam a programação normal para narrar o que viam: explosões, mortes, o verdadeiro caos. A idéia de uma teatralização foi ignorada por muitos que escutavam a invasão. 

Na verdade, o verdadeiro caos foi sendo criado a partir do que os ouvintes escutavam na rádio. Welles foi causador de um dos acontecimentos de maior histeria nos Estados Unidos. Antes da transmissão avisaram que era uma história fictícia. Muitos não ouviram o aviso e acreditaram piamente no que estava sendo dito.

A Universidade de Princeton publicou um estudo dizendo que mais de um milhão de pessoas foram afetadas de alguma forma pela dramatização. A – falsa – ameaça do fim da raça humana causou desespero entre as pessoas. Todos ligaram aos seus conhecidos avisando do perigo, aos hospitais querendo se precaver ou a polícia pedindo por esclarecimentos. O pânico chegou a causar fugas em massa e há rumores de que até tiveram alguns casos de suicídios. O terror estava se espalhando, saindo até das fronteiras americanas.

A partir de então ficou inquestionável o poder que os meios de comunicação possuem sobre as pessoas. A mídia passa a ser o quarto poder, ou seja, torna-se um poder capaz de manipular e garantir a absorção de tudo que é veiculado, inclusive aquilo que é absurdo. O ser humano mostrou ser (ou mostrou ter se tornado) uma espécie passiva, sem senso crítico. E mesmo depois desse caso polêmico, não parece ter mudado. Já na pós-modernidade se escuta afirmações irreais fundamentadas pelo que os jornais, por exemplo, transmitem. Mesmo sendo de jornais com credibilidade, deve ser de conhecimento geral que não há dono da verdade e nada deve ser aceito sem uma avaliação prévia.

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