Já existem veículos que dão destaque a outros assuntos, como O Monitor Mercantil que possui em sua cobertura diária pautas sobre: economia política, economia internacional, mercados financeiros, seguros e empresas.

De acordo com o editor executivo do O Monitor Mercantil (MM), Marcos de Oliveira, o jornal pauta sua cobertura pela independência e pela busca de um olhar diferente daquele da maioria dos jornais brasileiros. Ele explica que isso acontece tanto pela linha política do MM como pela busca de um nicho que o diferencie de outros veículos financeiros e da cobertura de Economia dos jornais de assuntos gerais. Já que ele acredita que de modo geral, as notícias – não só em Economia, mas também nela – pecam por receber uma mesma abordagem em praticamente todos os jornais, com uma linha ditada tanto pelos interesses financeiros das empresas que os editam, quanto pelos seus interesses políticos. “As fontes, em número restrito, são praticamente as mesmas em todos os veículos, e seguem praticamente a mesma linha. Poucas vozes discordantes dão apenas um aspecto “democrático” à cobertura jornalística.O MM procura justamente fontes diferentes, que possam dar uma visão alternativa aos fatos noticiados.

Outra característica é aprofundar a análise de alguns assuntos mais importantes, ampliando a mera cobertura factual.”, diz Marcos de Oliveira

Um exemplo da abordagem diferente do MM pode ser visto nesta nota, publicada na edição de 17/6/2010, numa coluna de comentários e análise:

 “A reação dos ‘jornalões’ brasileiros à decisão do presidente Lula de sancionar o reajuste de 7,7% para os aposentados que recebem acima de dois salários mínimos ajudar a entender que não apenas a Internet explica o processo de emagrecimento de alguns diários. Com visões de mundo antagônicas às de seus leitores, esse tipo de imprensa, não raro, se põe em situações em que seu apego aos seus dogmas a coloca em campo oposto ao da audiência. Lateralmente, ainda, joga água no moinho do presidente Lula e da candidata do PT a presidente, Dilma Housseff, ao apresentar Lula como um líder capaz de contrariar os interesses de burocratas sem votos para ficar do lado dos aposentados, o que, aliás, como revela o veto deste ao fim do fator previdenciário, está longe de ser realidade.”

Pré-Copom, pré-ata
As vésperas da reunião do COPOM, este vira motivo de debate no mercado financeiro e jornalístico. Há o que se chama de tensão pré-COPOM, nesta especulam o que vai ser discutido pela comissão.                                 .

Após a realização da reunião, é divulgado um comunicado à imprensa. Esse comunicado é uma nota que costuma dizer como foi a reunião. Pode sinalizar o que o Banco Central decidiu fazer ou se há divisão entre os diretores, por exemplo. As vezes o BC pode divulgar, em outras palavras que:  “O BC está avaliando o cenário macroeconômico para então definir o que vai fazer com a taxa de juros”. Ou seja, o comunicado à imprensa nem sempre é esclarecedor e assim surgem indagações do que vai vir na ata propriamente dita (que vai ser lançada uma semana após a reunião): “Será que o crescimento vai dar uma freada, vai rever projeção de inflação ou não vai?”, questiona Vicente Nunes. A partir desse questionamento surge a tensão pré-ata.

Importância de entender a Ata do COPOM
O Banco Central possui uma visão do país e é a instituição que mais tem indicadores para definir as taxas de juros. Eles realizam reuniões para analisar a situação econômica do país e tomar decisões sobre a política monetária. A ata permite avaliar o momento atual e o que esta por vir.  Também existem relatórios trimestrais de inflação, que analisam detalhadamente a conjuntura econômica e financeira do país, bem como apresenta suas projeções para a taxa de inflação. Essas questões atingem diretamente o consumidor e a sua estabilidade financeira. 

Mídia especializada x Mídia massiva
Vicente Nunes não acha que a mídia especializada e a mídia massiva entram em confronto de sentidos ao escrever sobre a Ata do COPOM. Existe uma diferença na estrutura e na abordagem, já que o interesse do público é diferente. De acordo com ele, há um problema em comum nas duas mídias: “são muito economês, não visam todo o público”. Ele comenta que as vezes ele tem dificuldade de entender matérias no Valor Econômico pela sua linguagem rebuscada. Mas ele afirma que há cada vez mais matérias com a preocupação de traduzir para o leitor comum o que é economia. O jornalista econômico afirma que não basta reproduzir o que uma fonte do mercado e o governo disseram. Tem que se perguntar: “ E aí?”. Deve-se escrever com a idéia que o leitor não sabe do que se trata. É preciso dizer o que aquilo significa, como aquilo vai afetar a vida dele.   Ou seja, contextualizar o assunto. O objetivo do Correio Braziliense é que a matéria atinja o maior número de pessoas. Para isso buscam escrever de forma simples e objetiva, com o mínimo de economês.

O jornal Valor Econômico é um veículo específico de economia, conseqüentemente seus leitores procuram assuntos inerentes ao tema. Apenas esse fator já é bastante seletivo, pois só a pequena parte da sociedade se interessa e compreende o assunto. Ao contrário de outros veículos que tem o público alvo a grande massa, ou seja, pessoas com a mais diversa pluralidade cultural, o jornal Valor Econômico tem como público adultos de, em média, 27 a 42 anos, casados e com trabalho fixo. Segundo pesquisa realizada no ano de 2006, 78,3% do público alvo do jornal possuem no mínimo uma graduação.

Com a possibilidade de explorar mais especificamente o COPOM, Comitê de Política Monetária do Banco Central, o jornal publica desde notas, matérias e até reportagens nas edições especiais: suplementos. Durante os dias que o Comitê está reunido e posteriormente a eles, os colunistas comentam as decisões impostas. Seja qual for o formato que o assunto foi abordado, os textos não possuem como maior objetivo fazer com que o leitor entenda a mudança que vai acontecer na vida particular de cada um e explorar ao máximo assuntos de cada reunião. 

O jornal do Commercio é exemplo de mídia massiva jornalismo de variedades. O jornal é dividido em  5 editorias, sendo que uma delas é de economia. A cobertura do Comitê de Política Monetária do Banco Central, não recebe um espaço razoável no jornal por falta de espaço. Segundo o editor de economia do jornal o tema é bem tratado, possui uma cobertura especializada adequada, mas acha que a mídia de variedade não possui espaço suficiente para abordar com profundidade as informações.

Jornalista Econômico
De acordo com Vicente Nunes, o aconselhável é que o jornalista tenha um conhecimento econômico para trabalhar nessa área. Mas afirma que o ideal é se ter uma equipe mesclada e unida, com pessoas novas e outras mais experientes. No período pré-COPOM, em que se especula o que o Banco Central vai fazer. Uma pessoa que é novata no assunto fica influenciável, não tem discernimento e conhecimento suficiente para questionar. Muitas vezes o jornalista pode ser levado a seguir interesses do mercado financeiro.

Banco Central e Ministério da Fazenda, por ainda se dar tanta importância a essa cobertura macroeconômica, são consideradas dentro da redação como áreas nobres da economia. Por este motivo, quem normalmente cobre o Banco Central são pessoas mais experientes.

Ética na profissão
Normalmente, a chefia dos jornais está sempre atenta a possíveis erros cometidos pelos repórteres. Vicente Nunes garante que as matérias devem ser aprovadas por ele e pelo sub-editor. Se achar necessário manda reescrever. No Correio Braziliense há uma preocupação em não deixar uma matéria errônea ser publicada.

Além disso, ele ressalta que é preciso ficar atento já que muitas reportagens podem ter sido influenciadas por fatores externos. Fontes podem influenciar os jornalistas para tirar proveito da divulgação. Existem profissionais de comunicação que se submetem e manipulam a informação. Por isso, o editor do Correio Braziliense afirma, “Não é para publicar tudo que chega. Tem que ter um filtro.”